Into the labyrinth of thoughts... and walks.
03
Mai 12
Ariadne, às 13:11

Mas, ainda assim, ficam aqui umas achegas aos pseudo-intelectuais de esquerda que engoliram a cartilha do partido sem sequer a mastigar e aos santinhos de direita que enaltecem a magnanimidade de Soares dos Santos em tempo de crise:

A corrida ao desconto não pode ser colocada no mesmo patamar das longas filas para os bilhetes dos grandes concertos ou para aquisição do último iPhone, iPad ou iPhoda-se. Só na vossa terra é são comparáveis. Que eu saiba, um pacote de leite ou de arroz não confere estatuto social. Nem daqui a 10 anos essas pessoas dirão orgulhosamente aos filhos que tiveram a senha nº 1 para a peixaria, como outras podem vir a ostentar o bilhete nº 1 do concerto da Madonna. Além de, grosso modo, serem diferentes aqueles que se encontram numa ou noutra situação. Se o bilhete para a Madonna é um extra e as peripécias para o conseguir dependem da opção do indivíduo, o mesmo já não acontece com os bens alimentares e de higiene. Podemos passar sem a Madonna, mas não podemos passar sem comer. Que duas tias se assanhem por uma Louis Vitton em saldo podemos achar caricato. Mas se o mesmo acontecer com duas mães por causa de comida de bébé, já a coisa adquire outros contornos. Por outro lado, também aqueles - maioritariamente de direita - que elogiam a iniciativa do empresário, são os mesmos a quem a falta de pão nunca os tocou ou pensam que nunca lhes há-de chegar. Não os imagino a atirarem-se às prateleiras do supermercado, quais pombos a grãos de milho. É o cúmulo do sarcasmo que tamanha generosidade venha de um patrão que é conhecido por pagar uma miséria aos seus empregados e, claro está, logo no dia do Trabalhador. Para estes, o que interessa não é dotar a sociedade de mecanismos que permitam gerar riqueza para que todos tenham igual acesso aos bens. Interessa sim, mantê-la na dependência da caridade de quem sabiamente os gerem em proveito próprio, what else...?

Também eu teria acorrido ao Pingo Doce com a minha lista de compras se tivesse tido possibilidade de o fazer. Reúno duas características que, decerto, serão comuns a muitos dos que lá foram: o desemprego e o pragmatismo. Dispenso pois, meus senhores, as vossas "verdades" de pacotilha, pois já tenho a minha. Podemos abastecer a despensa com as promoções de quem se está marimbando para o nosso bem-estar, mas só se vende quem quiser.

 



02
Mai 12
Ariadne, às 19:10

O Céu. 

 

A Terra.

 

O Céu na Terra. 

 



27
Abr 12
Ariadne, às 13:59

... the journey is the destination.

 


25
Abr 12
Ariadne, às 00:57

Na noite em que se comemora o 38º aniversário da Revolução dos Cravos, algumas horas após a notícia da morte de Miguel Portas, dei comigo a pensar que, se sou possuidora de alguma ténue aproximação ao que se costuma designar de "consciência política", aos governos PSD o devo. De entre o turbilhão que se fez sentir no final do 2º mandato de Cavaco, o bloqueio da Ponte 25 de Abril e a subsequente carga policial a que assisti pela televisão e, uns anitos mais tarde, a manifestação contra as propinas em frente a S. Bento onde estive e onde levei um empurrão escadaria abaixo que me magoou mais na alma do que no corpo, dado por um senhor gorducho de farda que parecia estar a descarregar a energia acumulada de um corno manso; dão-me indicações mais que suficientes da gradação política da qual quero distância. Isto porque, independentemente dos contornos autoritários que os governos de esquerda tomaram noutros países, em Portugal, a sua face mais nítida tem-se registado nos de direita. E quem negar isso é porque ou nasceu ontem ou tem sérios problemas de processamento da informação... Tenho, pois, a agradecer ao PPC e seus lacaios (ou será ao contrário?) as oportunidades (como dizia hoje Helena Roseta: "É que é todos os dias!") que me estão a dar de reforçar a minha posição e, quem sabe, até, de a prolongar futuramente, numa acção mais concreta. É que os anos (décadas...) passam-se, mas continuo a sentir a impotência e a indignação de ser empurrada escadas abaixo, segundo a ordem emanada de um poder que era suposto zelar pelos nossos interesses. A diferença é que agora mandam dobermans raivosos em vez de frustrados bulldogs para o fazer, além de que os ditos "empurrões" adquiriram novas e variadas formas, perpetradas por seres de fato e gravata e com mãozinhas de lã.

 

25 de Abril SEMPRE! 

 

 

 

 


23
Abr 12
Ariadne, às 20:07


Ariadne, às 16:06

...mais me parece que vivemos num universo paralelo de nonsense e que o portal de acesso ao mundo verdadeiro, lógico e tangível fecha-se perigosa e progressivamente, deixando-nos do lado de cá, sós e desamparados, na companhia dos idiotas.

Agora foi um puto de 17 anos que foi condenado por partilhar ficheiros de música na Internet. Anda o dinheiro dos contribuintes a ser gasto nisto? Quais assassinos, quais ladrões, violadores e pedófilos... Quais corruptos... Um puto que partilhou - benzam-se! - Queda de um anjo, dos Delfins, Não há, de João Pedro Pais, e Right through you, de Alanis Morrisette vai ficar com cadastro. Esta juventude está duplamente perdida: pelo sistema judicial herdado que se verga às ordens dos grandes dinossauros e que consome os preciosos recursos a punir somente os mais fracos; e, sobretudo, pelo mau gosto gritante. Com tanta coisa aceitável que se faz em todos os quadrantes musicais, o chavalo não só ouve isto, como ainda vai espalhar a moléstia? Podia finalizar com o video da "Soltem os prisioneiros" dos Delfins, mas depois torna-se difícil reter o lanche no estômago...

 



Ariadne, às 14:07

Ler notícia aqui.

 

Não sei o que mais me enoja, pois se o facto de a PSP ter "orientações para impedir manifestações, desfiles e acções de rua que não tenham seguido todos os procedimentos legais para a sua realização" não traz nada de muito novo, já a parte do "a orientação tem como alvo especial as iniciativas de movimentos potencialmente mais radicais" deixa-me preocupada. Se juntarmos a crença do inspector, referindo-se às manifestações de 22 de Março, de que subavaliaram "quanto ao grau de ameaça e potencial de desordem" de alguns grupos de manifestantes, sendo que "o potencial de violência não teve o tratamento necessário" e remate com um: "Se soubéssemos o que sabemos hoje, esses grupos não teriam sido autorizados a desfilar. É uma das lições que aprendemos", a coisa piora.

Gostaria de ver estes dobermans do governo perseguirem com o mesmo denodo os criminosos que pululam por esse país fora. Com "movimentos potencialmente radicais" está a referir-se ao quê precisamente? Dois ou três freaks que se chegam mais à frente nas manifestações para fazerem barulho? Fotojornalistas no desempenho da sua função? Respeitáveis mães de família de passagem? Ou uma comunidade inteira que, no Porto, defende a escola que ergueu com o seu esforço? A ignorância é gritante. Embora noutro contexto, faz-me lembrar alguns censores da antiga senhora para quem "O Vermelho e o Negro" só poderia ser um panegírico comunista... E quem dá as ordens? Quem? A quem os lá colocou, desejo-vos uma pedra nos rins do tamanho de uma bola de golfe.

 




Ariadne, às 02:19


Ariadne, às 02:02

Um pequeno passo para a Humanidade... mas um salto gigante para Ariadne. E seja o que o Barbudo de lá de cima quiser!

 



22
Abr 12
Ariadne, às 20:48

Tirada daqui.

 

 


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Ariadne, às 15:13

21
Abr 12
Ariadne, às 10:55

Para mim, a diferença fundamental entre caridade e solidariedade é que, enquanto a caridade acentua o fosso entre quem dá e quem recebe, a solidariedade aproxima ambas as partes. Se o poder político instituído opta claramente pela primeira em detrimento da segunda, tirem as vossas conclusões. 

 

 



20
Abr 12
Ariadne, às 20:29

...já que as drogas são caras e ilegais.

 

"Quero dizer-lhes que Portugal tem futuro e que há esperança, que emigrem quando tiverem de emigrar. Nós não temos de ter preconceitos, a minha filha dentro de seis meses vai fazer Erasmus para França." Miguel Relvas, ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares no programa 5 para a Meia-Noite da RTP1. Diário de Notícias, 19/04/2012


Comentário de uma tal de marysmith (marysmith, és a minha heroína!):

 

"São 9h00, tenho de me apressar para apanhar o avião, o táxi está à minha espera. Vai ser uma experiência magnífica. O pai diz que sou muito corajosa e que sou um exemplo para milhares de portugueses. Estou com um bocadinho de receio porque pela primeira vez vou ficar sozinha numa casa. O que vale é a empregada que vou ter me vai fazer companhia. Companhia e restantes tarefas domésticas porque vou estar muito ocupada com os meus estudos e assim sempre a nossa familia pode contribui para a criação de emprego! O pai diz que sempre que precisar de dinheiro para lhe pedir e apesar de ter uma semanada, posso sempre ter despesas extra e é um aborrecido estarmos fora sem dinheiro. Então deixa cá ver, tenho o Visa, o American Express, o iPad, o iPod e o iPhone. As primeira malas já seguiram na semana pasada e espero não me esquecer de nada.Bem, também se faltar alguma coisa, telefono à mãe e ela dá lá um pulinho. Afinal emigrar não é assim tão difícl, não sei porque se queixam tanto. Espero aprender muito e quando voltar ter um merecido lugar uma fantástica empresa para compensar os meses de sacrificio e depois só regressar a França em férias porque trabalhar deve ser uma grande canseira. Au revoir!"

 

Tirado daqui.

 

Cá vai mais uma dose...

 


Ariadne, às 14:46

 

After all, being a tattoo artist is not that glamorous as we usually suppose...

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18
Abr 12
Ariadne, às 11:11

É verdade que o acesso ao conhecimento, tal como outros bens tangíveis e intangíveis que deixaram de ser exclusivos de elites, democratizou-se. É impossível, pois, dotar as suas infraestuturas (bibliotecas, arquivos, escolas...) do requinte de outros tempos. Mas usar como argumento contra a Parque Escolar o ter pretendido construir escolas "bonitas" é significativo da boçalidade de quem o proferiu. Isto, na melhor das hipóteses. Na pior, as ditas criaturas devem achar que as escolas públicas devem ser contentores onde largar futuros delinquentes e incapazes. As bonitas que fiquem para quem as puder pagar. Mas isso devo ser eu a maniqueizar...

 

 



17
Abr 12
Ariadne, às 09:41

Back and forth, I sway with the wind
Resolution slips away again

Right through my fingers, back into my heart
Where it's out of reach and it's in the dark
Sometimes I think I'm blind
Or I may be just paralyzed
Because the plot thickens every day
And the pieces of my puzzle keep crumblin' away
But I know, there's a picture beneath
Indecision clouds my vision
No one listens...
Because I'm somewhere in between
My love and my agony
You see, I'm somewhere in between
My life is falling to pieces
Somebody put me together
Layin' face down on the ground
My fingers in my ears to block the sound
My eyes shut tight to avoid the sight
Anticipating the end, losing the will to fight
Droplets of "yes" and "no"
In an ocean of "maybe"
From the bottom, it looks like a steep incline
From the top, another downhill slope of mine
But I know, the equilibrium's there
Indecision clouds my vision
No one listens
Because I'm somewhere in between
My love and my agony
You see, I'm somewhere in between
My life is falling to pieces
Somebody put me together.

 



Ariadne, às 09:05

Não tarda pensam que me converti ao PB, mas é tudo fruto da coincidência.

Now... imagine if cats were bigger...

 

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Ariadne, às 01:52

...da ambição perdida.

 


16
Abr 12
Ariadne, às 11:03

Tenho para mim que o excesso de civilidade, como o que se verifica na Noruega por estes dias, levará à dissolução da própria sociedade. O julgamento de Anders Breivik começou hoje e, nada melhor do que:

a) saudar o tribunal de punho erguido;

b) cumprimentar com apertos de mão os procuradores e oficiais do tribunal.

 

Poderão argumentar que é necessário não descer à selvajaria que o caracteriza. Poderão, até, acreditar que assim estão a defender o tal igualitarismo que o réu condena. Poderão pensar que, tratando-o como o mais comum dos criminosos, estão a relativizar a sua importância e a impedir que se torne num exemplo e num mártir para os da mesma estirpe. Porém, nada me tira da cabeça que a aparente deferência com que os intervenientes tratam a criatura pode resultar no colapso dos valores que tanto defendem. Apesar de prática demonstrar que as áreas cinzentas abundam, qualquer sociedade necessita de uma definição idealmente irredutível do Bem e do Mal, do certo e do errado, do crime e respectivo castigo. Permitir a saudação neo-nazi num tribunal e o posterior "passou-bem" aos seus representantes é a suprema afronta ao sistema judicial. Ao ser complacente com estes rasgos de pretensa loucura, a justiça norueguesa pretenderá demonstrar indiferença e superioridade, mas permite também a chacota entre sectores da sociedade cuja dimensão se desconhece que se revêem nesse gesto provocatório. A maior parte não chegaria ao ponto de matar, mas todos sabemos que o ultranacionalismo, o racismo, o anti-islamismo não é monopólio dos Breiviks deste mundo. Demonstrar tolerância para com eles hoje é, pois, legitimá-los amanhã e permitir a sua disseminação. E, para isso, já basta uma conjuntura económica difícil, a ignorância generalizada e a demagogia de alguns políticos.


15
Abr 12
Ariadne, às 19:28

...as notícias do dia são a viagem de recriação (ou recreação) da rota do Titanic, o jantar que reproduz o menu da fatídica noite do naufrágio, a descida de James Cameron à sua carcaça e não sei que mais manobras de marketing em torno do dito caixão de luxo que se partiu ao meio e se afundou; em Abril de 1918, morria-se na Flandres, no maior desastre militar português de que há memória, a seguir a Alcácer Quibir. Mas disso ninguém fala.

 

"O Morteiro", paródia a "Lágrima" de Guerra Junqueiro, incluído no Relatório de combate de 9 a 12 de Abril de 1918- Lembranças, caderno manuscrito por Raul Pereira de Araújo, alferes de Artilharia, sobrevivente da Batalha de La Lys. Tirado daqui.

 

Noite de frio intenso, uma trincha escavada
Lúgubre, sepulcral, agoirenta... e mais nada
Trincheira onde a morte apanha vis pancadas
Em banquetes de sangue arrancado em ciladas
Na trincha oposta, onde o boche reina e impera
Em rasgos e expansões de forte besta-fera
Um oficial audaz, olho do batalhão
Descobriu dum morteiro grosso, a posição
Maquinismo feroz que se cumpre o dever
Ao perto e ao longe tudo faz estremecer.

Eis que passa um general com seu estado-maior
Tenentes, capitães e creio que um major
E ao saber que existia ali a posição
Caiu sobre os joelhos e disse: - Perdão!
Consente-me que passe; sabes que é preciso
Dar exemplo ao soldado, fingir o sorriso
Para que elle veja em mim virtude, um nobre exemplo
De guerreiro d' outrora. Mas eu te contemplo
Com o maior respeito; nunca te fiz mal.
É certo que por vezes do Quartel-General
Em notas irritantes cheias de iniquidade
Ordeno muito tino, muita actividade
Mas nada mais; já vês portanto que o meu crime
É bem banal e encerra apenas, elle exprime
A pretensão sabuja de mostrar tesura
Que não tenho, confesso. Mas a morte é dura
E eu não quero morrer; por isso tem paciência
Esparge sobre mim um pouco de clemência
Que a minha cobardia, com respeito e agrado
Te dirá sempre: mil vezes muito obrigado.

E o morteiro feroz com seu enorme bôjo...
Sorriu... tremeu de raiva... e cuspiu com nôjo.

Passa depois o chefe de certa brigada
Muito pressuroso e prôa alevantada
E ao conhecer a história do grosso morteiro
Deixou de ser um chefe... para ser sendeiro
Titubiou, vacilou, perturbou-se e caiu
Depois de um silêncio enorme quando sentiu
Reanimar-se, disse assim: - Morteiro amigo!
Eu tenho em Portugal, velho solar antigo
Cheio de raridades ao mais alto preço!
Pois bem, deixa-me passar, eis o que te peço,
Dez minutos somente de tréguas na guerra
E prometo-te levar-te para a minha terra.
Para no meu solar servires de ornamento
Em rico salão nobre e cheio de espavento
E se um dia morrer, hei-de deixar escrito
Que tu foste a mais nobre arma deste conflito
E assim atestarás depois à eternidade
Como nós espalhamos a - Fraternidade!

E o morteiro feroz com o seu norme bôjo
Sorriu... tremeu de raiva... e cuspiu com nôjo.

Aproximou-se então um cachapim tonante
Com ar superior, nojento, revoltante
Imensas ordenanças quaes tristes jumentos
Carregam com mil mapas e regulamentos
Mas ao saber ali da triste aparição
Ficou desnorteado e gaguejou então:
Com a minha inteligência eu posso num momento
O kaiser derrubar e o próprio firmamento!
Com um papel e um lápis, arte, génio e manha
Eu faço derruir num ápice a Alemanha!
Olhando bem para mim, assim de frente a frente
Vê-se logo que eu tenho um cérebro potente!
E para corroborar tudo isto afinal
Olhai-me bem e vêde as palmas e o braçal.
Pois palmas e braçal tudo isto eu dou, morteiro!
Se prometeres deixar-me o meu corpinho inteiro
E eu dou-te mais ainda planos de extermínio
Para espalhares a dôr, a dôr e o teu domínio
E se não estás contente ainda, paciência,
Só posso dar-te mais e minha inteligência
E assim poderás tu encher a tua pança
À custa de mil bifes e da própria França.

E o morteiro feroz, com seu enorme bôjo
Sorriu... tremeu de raiva... e cuspiu de nôjo.

De súbito um alferes que tudo tinha visto
Assoma na trincheira como um imprevisto
Vem nervoso, colérico, d'olhos em braza,
O seu olhar crepita, fere, mata, abraza
E meditando assim em tanta vilania
Que por ali passava em todo aquelle dia
Estremece febril; e como um furacão
Dirige-se para a linha todo em convulsão
E quando chega ali, subindo ao parapeito
Assim fala ao morteiro descobrindo o peito:
- Que pena a minha Pátria, terra de brazões,
Agasalhar em si canalhas e poltrões!
Nunca julguei em terra de heróis e guerreiros
Pudesse haver assim tamanhos embusteiros!
Nunca, jamais, em tempo algum sequer um dia
Pensei de Portugal em tanta covardia
Nunca julguei que em campo de heroes e façanhas
Pudessem aparecer sabujices tamanhas!
Que nunca ninguém saiba os crimes deste dia
Que eu não quero viver em tanta porcaria
Por isso, ó morteiro te peço bem do fundo
Dispara um tiro só, leva-me do mundo

E o morteiro bojudo, o morteiro audaz
Expediu um pesado... e matou o rapaz.

 

 


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